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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Manifesto da IFLA sobre a Internet

Não dá mais para fingir que a informática e o uso da Internet não são importantes nem fazem parte de nosso dia-a-dia. O Brasil hoje é um dos países que mais tem acesso à Internet porisso, as bibliotecas têm uma vital importância no cotidiano de todos que circulam por elas. Seja ela pública ou particular, universitária ou escolar, todas têm que estar equipadas com o que de melhor possa oferecer a seus usuários. Essa declaração da IFLA esclarece e fortalece nosso empenho em fazer dessa instituição (biblioteca), um espaço cada vez melhor esteja ela numa empresa, numa escola, numa universidade ou pública. A comunidade merece ter esses espaços e fazer dela uma extensão do seu dia-a-dia.

O livre acesso à informação é essencial para a liberdade, a igualdade, o entendimento mundial e a paz. Portanto, a Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) declara que:

A liberdade intelectual é um direito de cada indivíduo, tanto no sentido de ter e manifestar suas opiniões, como de procurar e receber informação. É a base da democracia e está na essência do serviço bibliotecário.
A liberdade de acesso à informação, independentemente de suporte e fronteiras, é uma responsabilidade primordial da biblioteca e dos profissionais da informação.
O livre acesso à Internet, oferecido pelas bibliotecas e serviços de informação, contribui para que as comunidades e os indivíduos atinjam a liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento.
As barreiras para a circulação da informação devem ser removidas, especialmente aquelas que favorecem a desigualdade, a pobreza e o desespero.
Liberdade de Acesso à Informação, à Internet, às Bibliotecas e aos Serviços de Informação
As bibliotecas e os serviços de informação são instituições atuantes, que conectam as pessoas aos recursos globais de informação e às idéias e obras de criação intelectual que elas procuram. As bibliotecas e os serviços de informação tornam disponíveis a riqueza da expressão humana e a diversidade cultural em todos os meios de comunicação.
A Internet permite às pessoas e às comunidades do mundo inteiro, desde as menores e mais remotas localidades até as grandes cidades, o igual acesso à informação. Esta pode ser utilizada para o desenvolvimento pessoal, a educação, o estímulo, o enriquecimento cultural, a atividade econômica ou a participação informada na democracia. Todos podem apresentar seus interesses, conhecimento e cultura [via Internet] e torná-los disponíveis para o mundo.
As bibliotecas e os serviços e informação proporcionam [aos usuários] os portais de entrada indispensáveis ao conteúdo da Internet. Em alguns casos, oferecem comodidade, aconselhamento e ajuda e, em outros, são os únicos pontos de acesso disponíveis. Fornecem mecanismos para superar os obstáculos criados pelas diferenças de recursos, tecnologia e formação.
Princípios de Liberdade de Acesso à Informação via Internet
O acesso à Internet e a todos os seus recursos deve ser compatível com a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, particularmente com o Artigo 19:
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de ter opiniões, sem interferência, e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios de comunicação e independentemente de fronteiras.
A capacidade da Internet de interconectar o mundo inteiro possibilita a todos o direito de usufruir desse recurso. Portanto, o acesso não deve estar sujeito a qualquer forma de censura ideológica, política ou religiosa, nem a barreiras econômicas.
As bibliotecas e os serviços de informação também têm a responsabilidade de atender a todos os membros de suas comunidades, independentemente de idade, raça, nacionalidade, religião, cultura, afiliação política, incapacidade física ou de outra natureza, gênero ou orientação sexual, ou qualquer outra condição.
As bibliotecas e os serviços de informação devem apoiar o direito dos usuários de buscar a informação que desejam.
As bibliotecas e os serviços de informação devem respeitar a privacidade de seus usuários e reconhecer a confidencialidade das informações por eles obtidas.
As bibliotecas e os serviços de informação têm a responsabilidade da facilitar e promover o acesso público à informação de qualidade e à sua comunicação. Aos usuários devem ser oferecidos a orientação necessária e o ambiente adequado para que eles possam usar, com liberdade e confiança, as fontes e os serviços de informação de sua escolha.
Além dos muitos recursos valiosos disponíveis na Internet, alguns outros são incorretos, enganadores e podem ser ofensivos. Os bibliotecários devem prover as informações e os recursos para que os usuários aprendam a utilizar a Internet e a informação eletrônica eficazmente. Eles devem atuar no sentido pró-ativo, para promover e facilitar o acesso responsável à informação de qualidade em rede a todos os seus usuários, inclusive as crianças e os jovens.
Assim como os outros serviços fundamentais, o acesso à Internet deve ser gratuito nas bibliotecas e nos serviços de informação.
Implantação do Manifesto
A IFLA incentiva a comunidade internacional a apoiar o desenvolvimento da acessibilidade à Internet no mundo inteiro e, em especial, nos países em desenvolvimento, para assim obter os benefícios globais da informação para todos, oferecidos pela Internet.
A IFLA incentiva os governos nacionais a desenvolverem uma infra-estrutura de informação nacional para fornecer o acesso à Internet a toda a população do país.
A IFLA incentiva todos os governos a promoverem o apoio à livre circulação da informação acessível pela Internet, por meio das bibliotecas e serviços de informação, e a fazerem oposição a quaisquer tentativas de censura ou inibição de acesso [a essa informação].
A IFLA conclama os membros da comunidade bibliotecária e os responsáveis pelas tomadas de decisão, em âmbito nacional e local, ao desenvolvimento de estratégias, políticas e planos para a implantação dos princípios expressos neste Manifesto.
Este Manifesto foi preparado por IFLA/FAIFE.Aprovado pelo Conselho da IFLA, em 27 de março de 2002, em Haia, Países Baixos. Proclamado pela IFLA em 1º de maio de 2002.
Aprovado por unanimidade, sem discordância ou abstenções, durante a reunião do Conselho da "68th IFLA General Conference and Council", em 23 de agosto de 2002, em Glasgow, Escócia.
Tradução do original inglês The IFLA Internet Manifesto, realizada pela FEBAB - Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições.

Latest Revision: 17 January 2006Copyright © International Federation of Library Associations and Institutionshttp://www.ifla.org/

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Luta pelo direito de manter as bibliotecas

Como sempre, continuamos a correr contra a maré. Enquanto nós bibliotecários que amamos o que fazemos e queremos implantar bibliotecas dignas para o grande público, políticos querem "tesourar" as poucas que têm. A história do fechamento das bibliotecas infanto-juvenis de São Paulo está dando o que falar. E temos que falar muito.
Se necessário, temos que gritar, berrar, fazer escândalo pra ver se esses homens que se encontramno comando de tudo percebam que não estão lidando com marionetes e sim com seres humanos que querem o melhor pra si e para o seu próximo. Está na hora de nossos colegas de profissão se unirem em prol de um único pensamento e formarmos um grupo com força e poder para mudar esse quadro. Não somente em São Paulo que é uma metrópole e, por isso mesmo, deveria ter uma rede de bibliotecas públicas dignas de primeiro mundo. Sabemos que nas poucas que ainda restam, existem profissionais sérios que querem fazer o melhor mas, por outro lado, temos pessoas acomodadas, desinformadas e que não são a favor das melhorias pois isso significaria mudança e isso, com certeza não está em seus planos. Aproveito para solicitar a adesão de nossos colegas da área educacional que nos dê uma força no sentido de pressionar esses políticos afinal, a biblioteca está ligada diretamente à formação do cidadão e um poderoso instrumento na formação acadêmica de todos. Por conta dessa revolta que não é só minha mas de muitos colegas, é que coloco a disposição esse espaço para discussão desse tema e o que podemos fazer para mudar esse quadro tão triste que vivemos em nosso meio. O CRB já se manifestou e dexou o seguinte recado:

O CRB-8 já se posicionou. Somos contrários a esta medida por uma questão de princípios e pela ausência de transparência no processo. Como exemplo, há 5meses nós encaminhamos ofício às autoridades responsáveis solicitando confirmação das informações que nos chegavam e pedindo diálogo.

*Silêncio...

*E não é somente isto! A cidade de São Paulo, que antes contava com uma respeitável rede de 36 Bibliotecas Infanto-Juvenis, é surpreendida com a transformação destas em Bibliotecas Públicas, por meio de decreto do Prefeito Gilberto Kassab, restando, das 36 originais, apenas a Monteiro Lobato. Esta rede, que tinha por foco a infância e a adolescência, passa a não ter foco em nenhum grupo específico, indo na contramão da tendência contemporânea de especialização por segmentos.
O que você pode fazer:

- Mandar e-mail com a sua manifestação para os endereços abaixo;
- Colher assinaturas por meio de abaixo-assinado (texto 2) e entregarno CRB-8 até 20/02 ;
- Participar de audiência pública na Câmara Municipal (oportunamente divulgaremos a data).