sábado, 14 de agosto de 2010

Até quando isso se repetirá?


Quando se parece que caminhou um pouco, eis que ela retorna. Sempre sorrateira, vestida de protetora da moral e dos bons costumes tão imprescindíveis à uma sociedade que se diga "saudável". Falo novamente da Censura. Sim, dela mesma que volta e meia comparece para que nós não a esqueçamos. E mais uma vez, sua vítima são os livros. E mais uma vez, os que sofrerão o golpe serão os jovens que, segundo os estudos e dados estatísticos, não leem. Não me estenderei mais pois li há pouco um texto tão magnífico e me identifiquei tanto que, vale mais a pena lê-lo na íntegra. Só deixo aqui registrado mais uma vez meu protesto contra esses "censores" que na maioria das vezes, eles sim é que não leem e são burros. Burros pois são incapazes de olhar a coisa dentro de um contexto. Burros por não compreenderem que literatura só acrescenta, jamais distorce ou tira alguém do "bom caminho". Só sai desse "bom caminho", quem não tem orientação, esclarecimento, informação. Mas deixa pra lá. Outra hora falo um pouco mais sobre isso. Deixo agora com vocês o texto da professora-doutora Marisa Lajolo, que dispensa qualquer comentário a mais - isso se você for bem informado e conhecer o mínimo de literatura.

A censura moralista

Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências.

Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura. Vários são os programas que distribuem livros à escola pública e a seus alunos, realizando com este gesto, o velho sonho do poeta Castro Alves, que em meados do século XIX conclamava "Semeai livros, livros a mancheias, fazei o povo pensar".

A distribuição de livros a alunos, assim, segue na esteira de um grande poeta e, quando se segue um poeta, dificilmente se erra... Ou seja, tais programas são acertadíssimos.

O caso, no entanto, é que muitas vezes os livros distribuídos às escolas desagradam pais e educadores que acreditam que certas temáticas são – para dizer o mínimo –deseducativas. É claro que é ótimo que pais e mestres se preocupem com o que leem seus filhos e seus alunos. Melhor ainda seria que eles se preocupassem também – sempre e muito – que seus alunos e filhos lessem. Mas, de qualquer maneira, discutir livros e leituras é sempre importante quando a questão maior é a educação que se quer. O que não é nada ótimo é quando a discussão sobre o que leem os jovens passa a ser pautada pela censura moralista que vê, na temática de certos livros, riscos para... Para o que mesmo? Para a saúde psíquica? Para a moral? Para o comportamento dos jovens? Para tudo isso? Leia na íntegra

5 comentários:

Ana Paula disse...

É lamentável que exista ainda censura literária em pleno século XXI. A leitura de modo algum fará mal a "ordem e a moral civica" da população. É o contrário, ela desperta nas pessoas a senso crítico. Mas estes ai que ousam censurar os livros, na verdade, não entendem o verdadeiro significado da leitura. E mal sabem, que eles é que são um mau exemplo.E sem dúvida, o texto da lajolo dispensa qualquer comentário.

Ana Luiza Chaves disse...

Na minha opinião leitura è básica -não tenho outras palavras: livros são para serem lidos, melodias para serem ouvidas, alimentos para serem comidos, perfumes para serem cheirados e objetos, pessoas e animais para serem tocados - simplesmente questão de sentido, não tem como censurar, deixa ler, deixa ver.

Ana Luiza Chaves disse...

Livro censurado é conhecimento desperdiçado, seja ele qual for.

Maria Oliveira disse...

Eu aceito a censura. Não considero moralista, é conservadora.

Karin disse...

Cada vez mais a família tenta transferir ao estado a responsabilidade de educar seus filhos. Censurar livros é mais fácil do que conversar sobre eles. Isso é apavorante.